Com quantas mulheres se faz um jogo ? (“a brincante”)

Por Ethel de Paula

O Vidas Violetas foi feito a muitas mãos, todas elas femininas, à exceção de dois homens, benditos entre as mulheres. São participantes que merecem ser perfiladas e aqui contam um pouco sobre suas próprias histórias de vida, deixando entrever cenas de bastidores vividas no processo de construção coletiva do jogo. A elas, que, assim como as personagens do Vidas  Violetas, engrandecem a condição feminina, dedicamos a série de perfis que serão publicados, um seguido do outro, ao longo dos próximos meses, como homenagem e reconhecimento às suas múltiplas potencialidades e sensibilidades.

Profa. Dra. Rebecca Guedes, Universidade Municipal de São Caetano do Sul (PPGCOM/USCS)

“A brincante”

Sagrado ritual de domingo: acabou a missa, direto para a casa da vovó. Em Teixeira, no sertão da Paraíba, terra natal da pesquisadora e docente no Mestrado Profissional em Comunicação da Universidade Municipal de São Caetano do Sul (PPGCOM/USCS), Rebeca Guedes, o melhor lugar do mundo era ali, onde ela podia sentar sobre o tapete ao chão da sala para jogar com a família damas, baralho, dominó, Banco Imobiliário ou Jogo da Vida. Curtida como sol na pele, a paixão infanto-juvenil pelos jogos de tabuleiro nunca lhe fugiu da memória. A ponto de, recôndito e marcante, o cheiro de madeira das peças e caixas de cada jogo de estimação voar junto com ela para os anos de doutorado e pós-doutorado na USP.

As tardes-noites de jogatina doméstica ficaram assim, guardadas como relíquia na bagagem existencial, até o dia em que, no Departamento de Enfermagem e Saúde Coletiva da USP, sob coordenação da professora Rosa Godoy, o que era estudo e pesquisa em gênero acabou por dizer sim ao convite para se colocar a serviço da construção coletiva de um projeto nascido na UNB: a criação de jogos de tabuleiro voltados à interface dialógica do lúdico com a educação. Dessa vez, a ideia era potencializar a parceria entre o Recriar-se/Nesprom/UnB, coordenado pela Profa. Maria Raquel Pires, com o grupo de pesquisa “Gênero, saúde e enfermagem”, da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo (EEUSP), dirigido pela professora-pesquisadora Rosa Godoy, na criação do jogo de tabuleiro “Violetas: cinema&ação no enfrentamento da violência contra a mulher”.

Xeque-mate: como umas das pesquisadoras da USP especialista em estudos de gênero, além de militante feminista, Rebeca mergulhou de corpo e alma no que um dia foi uma prazerosa brincadeira de criança e acabou por se tornar reflexão lúdica na vida acadêmica. No Recriar-se, jogar era igual a pensar. E assim Rebeca se encantou com o Banfisa e o Indica SUS, para depois integrar-se à equipe de criação dos jogos Violetas e Vidas Violetas, ambos voltados ao enfrentamento crítico dos vários tipos de violência e estereótipos historicamente atrelados à condição feminina.

“Aprendi muito com os jogos do Recriar-se, que são presenciais e, portanto, favorecem a problematização, a construção reflexiva do pensamento crítico, mas de forma leve e sem banalização. Acho mesmo que, enfim, me encontrei como profissional nesse trabalho de criação coletiva do Violetas e do Vidas Violetas, justamente porque o jogo resgata a dimensão brincante. A criança brinca e a sociedade aceita. E quando nos tornando adultos vamos perdendo essa capacidade e esse direito de brincar. No jogo, o princípio do prazer vem à tona novamente e vemos que é possível e importante levar isso para a sala de aula”, vibra Rebeca.

E o que realmente está em jogo?

Para Rebeca, os jogos não são meras ferramentas, mas experiência, agregando sentido aos processos de aprendizagem e à formação. Trata-se, acredita, de um conhecimento brincante capaz de mobilizar o senso crítico e a emoção, funcionando assim como vetor de transformação para o que considera mais importante enquanto docente e cidadã: a desconstrução de preconceitos. Tarefa hercúlea, embora jubilosa. E que, além de colocar à prova a criatividade do grupo, exigiu todo um rigor de pesquisa, o que incluiu padronização de instrumentos para análise de partidas-testes, repetidas rodadas de validação e ajuste das regras, aplicação de questionários junto a diversos grupos de jogadoras e jogadores convidados e uma acurada observação não participante por parte dos pesquisadores responsáveis pela avaliação de cada fase do jogo, seus procedimentos e resultados.

No Vidas Violetas foi assim: primeiro, a fase on line, filtro para uma dificílima escolha das personagens e trajetórias de vidas de mulheres que mereceriam destaque em toda a trama narrativa do jogo de cartas. Concebidas as regras, os primeiros protótipos ganharam asas, sendo testados entre diferentes grupos em Brasília, Rio de Janeiro e São Paulo. Rebeca coordenou e observou toda a testagem no âmbito da USCS. “Era o momento de anotar tudo: as cartas que davam mais agilidade ao jogo; aquelas que geravam maior ludicidade e adrenalina – ou mesmo tensão; as dúvidas quanto às regras; o tempo que durava o jogo desde a abertura da caixa até a leitura da carta final; os estereótipos surgidos; as reações verbais mais comuns, enfim, seguimos um tutorial detalhado e muito bem planejado até chegarmos, enfim, ao cruzamento de dados quantitativos e qualitativos que validaram o produto final”.

Em São Paulo, ela conta, até o ambiente criado para as primeiras reuniões de trabalho em Brasília foram reproduzidos. “Havia um aroma de lavanda na sala, tocava música clássica e até florais para a ansiedade podiam tomar parte no ritual de preparação. Nossa ansiedade, no caso, era para começar logo a jogar, tamanha empolgação. Junto a isso, um café com bolo delicioso faziam desses encontros uma inspiração. Tanto que reproduzi tudo nas  partidas-testes em São Paulo coordenadas por mim e Elisa Huertas, mestranda do PPGCOM-USCS e minha orientanda, que tocou a validação comigo. Ela publicitária, gamer nas horas vagas, conhecedora do mundo geek e dos jogos de tabuleiro, jogou o Vidas Violetas até com as filhas pequenas. E eu, me encantei ao ver meninas com 20 anos de idade, minhas alunas da graduação em Enfermagem da USCS, conhecendo e indo pesquisar mais sobre aquelas personagens. Muitas acabaram descobrindo filmes, livros, artigos, músicas e aprofundaram seus conhecimentos sobre gênero e violência contra a mulher a partir do conhecimento lúdico acionado com o jogo”, lembra Rebeca.

Um elogio à algazarra

Importante ainda festejar o fato de que o Vidas Violetas foi, na prática, uma criação coletiva e apaixonada entre pesquisadoras, um produto que passou pelo crivo de estudantes e profissionais das mais diversas áreas de formação, como saúde, comunicação, educomunicação, administração, psicologia, direito, artes. Somente em São Paulo, calcula, 194 pessoas jogaram e responderam ao questionário de validação do jogo. Mas nenhuma pergunta ou resposta lhe pareceu mais contundente enquanto índice de eficácia do produto do que a gritaria em sala de aula. “Se houvesse gritaria, disputa entusiasmada no decorrer do jogo, era porque ele estava funcionado! E sempre havia, diga-se de passagem. A ponto de baterem a nossa porta para reclamar ou saber o que estava acontecendo ali em plena pós-graduação da USCS. Ora, o que acontecia ali era algo similar ao clímax de uma aula maravilhosa. Porque jogo é isso, você quer ganhar e tudo é trepidante, divertido, intrigante e assim deve ser, porque, afinal, ali elas são jogadoras, além de especialistas em gênero”, ri-se.

Tamanha algazarra, tomada mesmo como termômetro, deu ao Vidas Violetas algumas licenças poéticas extra-oficiais. Rebeca segreda: “o jogo sempre acabava além do horário previsto nos testes. Justo porque gerava muito debate em torno de estereótipos, uma reflexão que, na verdade, era sobre a própria vida de cada um, suas posturas diante das questões de gênero, suas visões de mundo. Uma frase machista que escapava ali, a reprodução da naturalização da violência contra a mulher acolá, tudo isso não deixava o jogo acabar facilmente. Então, finalizada a partida-teste, quando os participantes respondiam aos questionários, abríamos uma nova rodada informal, nossa, só pra conversar mais a respeito do tema. E assim a pesquisadora, que até então tinha só observado e anotado tudo, podia, enfim, jogar. E era tão bom!”.

Jogar e pensar, é só começar

Trabalhar em sala de aula com jogos como o Vidas Violetas também fez Rebeca entender que as cartas nunca estão dadas quando a ordem é aprender e ensinar. Ela que viu sua própria visão sobre educação e construção do conhecimento mudar. “Gênero e militância feminista sempre fizeram parte de minha trajetória, desde a graduação. Então quando me deparei com os jogos foi como experimentar uma síntese de muitas coisas que eu acredito, como mulher, como feminista, como pesquisadora que poderia, enfim, trabalhar certos conceitos atrelados, de fato, com as histórias de vida das pessoas, com suas narrativas, cotidianos, memórias. O Vidas não acaba quando o jogo termina, essa experiência é lembrada porque nos toca. Tanto que o momento final de leitura da última carta, que desvenda um pouco da vida da personagem e da luta por seus direitos, é um momento de silêncio solene. Todos e todas escutam muito atentas. Porque não tem como não nos enxergar naquelas histórias.  A vida de cada vida violeta também é minha, me vejo em muitas delas, e esse sentimento de sororidade prevalece, mas sem pesar. Ao contrário, é algo que gera vitalidade e contagia”, aferra.

Da mesma série, acesse o perfil “a artífice”

Com quantas mulheres se faz um jogo ? (a artífice)

Por Ethel de Paula

O Vidas Violetas foi feito a muitas mãos, todas elas femininas, à exceção de dois homens, benditos entre as mulheres. São participantes que merecem ser perfiladas e aqui contam um pouco sobre suas próprias histórias de vida, deixando entrever cenas de bastidores vividas no processo de construção coletiva do jogo. A elas, que, assim como as personagens do Vidas  Violetas, engrandecem a condição feminina, dedicamos a série de perfis que serão publicados, um seguido do outro, ao longo dos meses, como homenagem e reconhecimento às suas múltiplas potencialidades e sensibilidades.

 

A artífice

Valéria Duarte Barbosa Coelho, consultora da gráfica Central Park

Se é sob o olhar atento da dona, Vera Lúcia Ranzan Graf, que a gráfica Central Park cresce como uma das melhores no ramo de conveniência no Distrito Federal, cabe destacar o quanto a mão da ex-gerente e agora consultora, Valéria Duarte Barbosa Coelho, imprimiu e continua a imprimir diferença em cada peça saída do parque gráfico nesses 24 anos de prestação de serviços diversos. Ela que começou a trabalhar no local aos 21 anos, primeiro como recepcionista, para depois assumir a gerência e liderar um time de funcionários dedicados não só a garantir qualidade máxima em impressões e acabamentos, como instigados a particularizar o atendimento, distinguindo-se justamente por um modo único de tratar o cliente, onde empatia se reverte em capricho e gera preferência.

Ouvir. Perceber. Sentir. Pensar. Fazer. Refazer. O jogo Vidas Violetas exigiu de Valéria e sua equipe bem mais do que a emissão de uma ordem de serviço. Por ser um produto de conteúdo diferenciado, a partir do qual um tema incontornável como a violência contra a mulher viria à tona, o profissionalismo se aliou ao comprometimento ético, resultando em um envolvimento pessoal que, segundo ela, foi bem além do que usualmente ocorre entre fornecedor e cliente. Assim, foi preciso reinventar procedimentos meramente técnicos, passando a despertar e a mobilizar em toda a equipe expertises próprias do campo do sensível.

Trabalho de formiguinha, coletivo e artesanal a um só tempo, onde artífices foram convidados a trabalhar com o mesmo rigor com que os artistas esculpem suas obras de arte. “Não somos apenas a gráfica que imprimiu o jogo Vidas Violetas. Posso dizer que nos consideramos parceiros mesmo desse e de outros projetos de pesquisa anteriores da professora Raquel Pires. Isso porque, desde o primeiro contato, percebemos a importância daqueles conteúdos para estudantes e profissionais de saúde. Então, não era só decidir a melhor faca de corte ou o melhor papel para tornar a impressão impecável, mas descobrir junto com a autora a melhor forma de apresentação de uma ideia, de um necessário e valioso pensamento crítico sobre temáticas cruciais para a vida social. Então, se aquele produto visava melhorar o mundo, a gente também daria o nosso melhor”, lembra a artífice.

Formada em Administração, não foi à toa que Valéria abraçou o jogo Vidas Violetas, construindo uma “ponte” entre razão e sensibilidade. Segundo ela, a gráfica Central Park sempre estimulou funcionários a expandir seus conhecimentos e diversificar sua formação, promovendo cursos internamente e tornando possível especializações fora do ambiente de trabalho. “Como comecei a trabalhar muito jovem na gráfica, tive que conciliar vida profissional e acadêmica. Mas isso nunca foi um problema, ao contrário, fiz cursos e faculdade trabalhando e era liberada aos sábados para assistir às aulas. Vera sempre valorizou quem busca outros saberes e por isso também vibrou ao poder contribuir com a confecção de jogos didáticos. No portfólio, há ainda os jogos Banfisa e INDICA-SUS, também da professora Raquel, e isso é motivo renovado de orgulho para nós todas que enxergamos nosso trabalho ali por trás de cada carta laminada, de cada dobradura de caixa ou de tabuleiro”, atesta Valéria, uma virginiana que, perfeccionista por natureza, não titubeou em medir milimetricamente ou organizar individualmente cada componente do jogo para o qual também torce e deseja sucesso.

“O Vidas Violetas está lindo do ponto de vista estético, mas não é só por isso que o jogo vai trazer muito orgulho às autoras e também às jogadoras. Eu aprendi muito com ele sobre histórias de mulheres maravilhosas e fortes que, ao longo da História, souberam superar dificuldades e lutar por seus direitos e desejos. Não conhecia a maioria daquelas personagens e saio dessa experiência não só realizada do ponto de vista profissional como mais consciente e comprometida com as bandeiras feministas. É um jogo que quero continuar a jogar, em nome de todas as mulheres”, regozija-se Valéria.

À espera do Vidas Violetas: série de perfis “Com quantas mulheres se faz um jogo?”

Para saborearmos de forma prazerosa a espera do Vidas Violetas, lançaremos amanhã a série “Com quantas mulheres se faz um jogo?”, que apresentará ludicamente pequenos perfis de cinco mulheres por detrás da criação do Vidas, assinados pela jornalista e pesquisadora Ethel de Paula.

Por meio dessas 5 biografias, divulgaremos um pouco dos bastidores  no processo de criação de um jogo, desconhecido para o grande público. Será uma forma também de reforçarmos os nossos agradecimentos às 30 pessoas envolvidas no projeto e às nossas colaboradoras, com destaque à gráfica Central Park e à Purpurina Comunicações.

Convidamos você a interagir conosco, disseminando entre suas redes alguns exemplos de vidas que se dispuseram a tornar possível um jogo em que as mulheres dão as cartas!

Encontramo-nos amanhã, com a publicação da primeira personagem da série “Com quantas mulheres se faz um jogo?” .

Até breve !

Lançamento do Vidas Violetas: release completo preparado pela Purpurina Comunicações e Cultura

Vidas Violetas: um jogo em que as mulheres dão as cartas

Núcleo de pesquisa da UnB lança jogo de narrativas sobre mulheres exemplares no combate aos estereótipos de gênero; o evento acontece na Universidade de Brasília, no dia 27 de março, e conta com shows e rodas de debate sobre o tema

A professora Dra. Maria Raquel Pires da Universidade de Brasília é a idealizadora do jogo Vidas Violetas

Que tal reinventar vidas para as mulheres? As falas que discriminam e violentam o  feminino (estereótipos) estão por toda parte: em casa, no trabalho, na escola ou no lazer. Mas muitas vezes esses discursos passam despercebidos e se transformam em violência de gênero. Segundo a plataforma EVA, do  Instituto Igarapé (Evidências sobre Violências e Alternativas para Mulheres e Meninas), mais de 1,2 milhão de mulheres sofreram violência no Brasil entre 2010 e 2017. É nesse contexto que chega o lançamento do jogo Vidas Violetas, ambientando ludicamente essa agressão, tantas vezes invisível, e abrindo espaço para narrativas que colocam um ponto final na discriminação. 

Para isso, o jogo ilumina histórias singulares de algumas mulheres envolvidas nessas lutas, com ênfase no combate aos estereótipos de gênero. Maria da Penha, Nise da Silveira, Madonna e Angela Davis são alguns dos nomes que ganham vida nas cartas, ilustradas por Eva Uviedo, Juliana Lousada e Francisco Costa. O Vidas Violetas, produto de investigações científicas que busca formas criativas de disponibilizar conhecimentos à sociedade, poderá ser comprado online (www.recriarse.wordpress.com) após o lançamento que será no dia 27 de março, na Universidade de Brasília, no mês em que é comemorado o Dia Internacional da Mulher.

O evento de lançamento acontece no Campus Darcy Ribeiro da UnB, das 16h15 às 19h, e é acompanhado de roda de debates sobre o tema e dos shows: A Negra e sua voz, com a soprano Aida Kellen e as musicistas Duly Mittelstedt, Luciana Oliveira e Diana Mota; e Vidas na MPB, apresentação intimista na voz e violão de Lai e Paulo Marques.

Narrativa lúdica inspirada em nomes potentes femininos

Idealizado pela professora Dra. Maria Raquel Gomes Maia Pires da Universidade de Brasília (UnB), o Vidas Violetas é o segundo jogo a abordar a temática da violência contra a mulher e o quarto da linha de pesquisa Recriar-se (arte, lúdico, saúde, educação), do Núcleo de Estudos em Educação e Promoção da Saúde, Centro de Estudos Avançados e Multidisciplinares da UnB (Nesprom/Ceam). 

“Não pretendemos propriamente usar os jogos com uma finalidade educativa conteudista, pois isso aprisiona as características desejáveis à educação crítica. Buscamos, em vez disso, criar um campo livre e metafórico de produção de sentidos no enfrentamento da violência contra a mulher, cujo final incerto e problematizador integra o próprio jogo. Nossa expectativa é que o público jogue Vidas Violetas conosco e goste do recriar-se lúdico que propomos nele”, comenta Maria Raquel Pires.

O Vidas Violetas demorou quatro anos para ficar pronto (2016 a 2020), envolveu uma equipe de 30 pessoas (entre pesquisadoras nacionais e internacionais, bolsistas, mestrandas, doutorandas, designers, ilustradoras e jornalistas) e quatro Instituições de Ensino Superior, uma delas internacional. Na etapa de testes, 290 jogadoras e jogadores participaram das partidas para validação do projeto.

Para escolher as 46 personalidades femininas que ganhariam vida nas cartas, foi feito um banco de dados com biografias de mulheres acompanhadas de catálogos sobre personalidades exemplares no combate aos estereótipos de gênero, ao longo do tempo. “Depois de ampla discussão, elaboramos alguns critérios para as escolhas, como mulheres reais e com histórias relativamente fáceis de serem encontradas para o público que não as conhecem; e inclusão de cartas com personagens trans masculinas e femininas“, conta a idealizadora do jogo. 

Sobre a pesquisadora Dra. Maria Raquel Gomes Maia Pires: Professora adjunta do Departamento de Enfermagem da Faculdade de Ciências da Saúde da Universidade de Brasília. Docente permanente do Programa de Pós-Graduação em Gestão Pública (PPGP/UnB). Pesquisadora líder do grupo de pesquisa  NESPROM – Núcleo de Estudos em Educação e Promoção da Saúde (NESPROM/Ceam/UnB), cadastrado no diretório de grupos do Cnpq. Possui doutorado (2004) e mestrado (2001) em Política Social  pela Universidade de Brasília (UnB), com pós-doutorados nas áreas de sociologia do gênero (2017, ISCTE/IUL, Lisboa-PT) e de design de jogos para a saúde (2011, UnB). Graduada em filosofia (UnB, 2019) e em enfermagem (Universidade Estadual do Ceará, 1994).

Bolsistas de Iniciação Científica e monitores de graduação, parte da equipe de pesquisa celebra mais essa conquista com a coordenadora do projeto. Venham celebrar conosco no lançamento do jogo, dia 27/03,

Mais sobre o jogo: O Vidas Violetas é produto da pesquisa “Mulher&Cidadania”, cuja segunda etapa foi financiada pela FAP-DF (Edital 03/2017 – Seleção de Propostas de Pesquisa sobre o Sistema de Proteção e Promoção dos Direitos de Meninas e Mulheres do Distrito Federal). Em 2016, a primeira etapa do projeto desenvolveu o jogo de tabuleiro Violetas: cinema&ação no enfrentamento da violência contra a mulher (CNPQ, edital 01/2012), que chegou a sua 2ª edição em 2019. Nesse evento, além do Vidas Violetas, o Violetas 2ª edição, a nova logo e o site do Recriar-se/Nesprom compõem a programação especial de lançamentos do núcleo de pesquisa.

Serviço:

Lançamento: Vidas Violetas: um jogo em que as mulheres dão as cartas

Quando: 27 de março (sexta-feira)

Onde: Auditório da Faculdade de Ciências da Saúde, Campus Darcy Ribeiro (UnB)

Horário: 16h15 às 19h30

Gratuito

Programação detalhada do lançamento: 

16h15 às 16h45–Abertura: Vidas Violetas e o mês das mulheres

– Reitoria da UnB

– Secretária de Estado da Mulher do Distrito Federal 

– Diretoria do Ceam/UnB

– Faculdade de Ciências da Saúde e Departamento de Enfermagem/UnB

– Profa. Maria Raquel Gomes Maia Pires (coordenadora da pesquisa e do Recriar-se/Nesprom/Ceam)

16h45 às 18h15– Roda de Conversa: Que jogo Vidas Violetas eu sou?

Coordenação: Mst. Maisa Campos Guimaraes (doutoranda PPGPSI/UnB), psicóloga do NAFAVD/Secretaria de Mulheres/GDF.

16h45 às 17h- Vidas Violetas para um Recriar-se lúdico 

Profa. Dra. Maria Raquel Gomes Maia Pires (coordenadora da pesquisa e do Recriar-se/Nesprom)

17h às 17h15 – Como chegamos as 46 Vidas Violetas?

 Dra. Ana Claudia Mendes de Andrade e Peres (Jornalista, Radis/Fiocruz, doutora em comunicação social-UFF, pesquisadora do Recriar-se/Nesprom/Ceam) 

17h15 às 17h30 – Comunicação, design gráfico e ilustração no Vidas Violetas  

Dra. Ana Claudia Mendes de Andrade e Peres (Jornalista, Radis/Fiocruz, doutora em comunicação social-UFF, pesquisadora do Recriar-se/Nesprom/Ceam) 

17h30 às 17h50 – Comentadoras

Profa. Dra. Tânia Mara Campos de Almeida– pesquisadora do Nepem, parceira do Nesprom no Vidas Violetas; 

Participante da oficina de testes com especialistas e atuação militante no movimento de mulheres 

18h às 18h15 – Debate com o público

Programação musical de encerramento:

18h15 às 18h30– (Auditório) Pocket-Show A Negra e sua voz – Aida Kellen e as músicas Duly Mittelstedt, Luciana Oliveira, Diana Mota.

18h30 às 19h (Hall): Vidas na MPB – voz e violão com Lai e Paulo Chaves

Exposição e venda dos jogos Recriar-se no Hall do auditório

Realização: 

Recriar-se/Nesprom/Ceam/UnB

Apoio:

Núcleo de Estudos sobre a Mulher (Nepem/Ceam/UnB)

Direção do Ceam/UnB

PPGCOM/Universidade Municipal de São Caetano do Sul

Núcleo de Pesquisa Gênero, Saúde e Enfermagem/Escola de Enfermagem/USP

Instituto Universitário de Lisboa (ISCTE/IUL/Portugal)

Purpurina Comunicação e Cultura

PROGRAMAÇÃO MUSICAL – Releases

Pocket Show A negra e sua música –com Ainda Kellen e músicas Duly Mittelstedt, Luciana Oliveira, Diana Mota

Idealizado por Aida Kellen, em parceria com Duly Mittelstedt, Luciana Oliveira e Diana Mota o recital “A negra e sua música” surgiu de uma ideia de gravação de CD com canções que apresentassem a história da(o) negra(o) para a população, em especial a população que não tem acesso à música erudita, onde a referência de “música de preto” é, por muitas vezes, associada somente ao samba, ao pagode e ao funk. A proposta visa uma nova forma de ver a música da(o) negra(o), proporcionando uma outra perspectiva, tendo como matriz o canto lírico. Em princípio, procurou-se compositoras(es) negras(os), mas não foram encontrados registros. As (os) compositores, em sua maioria não são negras(os), mas testemunharam a história das(os) negras(os), a sua arte, sua cultura, sua dor, musicando e difundindo as obras. O que serviu de motivação para abrir o recital ao público foi tentar desmistificar a música da(o) negra(o) para a plateia do DF, contando e passando pela história da música com outros acordes e a mesma beleza.

Aida Kellen é formada em canto erudito pela escola de música de Brasília, interpretou papéis como Alcina – J. F. Händel, Dona Anna, Fiorgiligi, Vitélia – W.A. MOZART, Aïda – G. Verdi, Musetta – G. Puccini, Bubkopf – V. ULMANN entre oratórios, peças de câmara e musicais. 

Dully Mittelstedt é graduada em Educação Artística com Habilitação em Música pela Universidade de Brasília (2002) e em Música Sacra pela Faculdade Teológica Batista de Brasília (2008). Possui vasta experiência nas áreas de Correpetição para Instrumentação Musical, Coach para Canto Erudito, Canto Coral, Montagem de Óperas , Música de Câmara e Música para Eventos. 

Luciana Oliveira é baterista e percussionista integrante da Banda de Música do CBMDF. Integrou vários grupos como instrumentista e atualmente é integrante da Orquestra de Senhoritas, Orquestra Cristã de Brasília e Projeto Brasilianas.

Diana Mota é conhecida no cenário brasiliense por sua versatilidade, atua tanto na música popular quanto na música erudita. É técnica em arranjo pela Escola de Música de Brasília, graduada em música, especialista em arte-educação pela UnB, professora da EMB. Venceu o Festival da Rádio Nacional FM (2011) com Melhor Música Instrumental. 

Vidas em MPB – show intimista, voz e violão com Lai e Paulo Chaves

Paulo Chaves e Lai são jovens compositores da cena brasiliense. Lai é integrante da banda Cachimbó, que lançou em 2018 o disco Bó. Com beats dançantes e harmonias sofisticadas, o show do conjunto foi destaque na Semana Internacional de Música de São Paulo (SIM-SP). No mesmo ano, Paulo lançou seu disco de estreia, Desafogo. O álbum transborda contemporaneidade ao fundir MPB com elementos de R&B e Indie Rock. Foi considerado um dos melhores discos de 2018 pela tradicional lista do site Embrulhador. Lai e Paulo tocaram em alguns dos maiores festivais de Brasília, como o Picnik e o COMA, além do evento londrino Sofar Sounds. Como duo, os dois se apresentam com um repertório eclético de música brasileira e internacional, no formato voz e violão.

Em março, mais Recriar-se: novo jogo, logo, blog e site !

Apresentamos as novas logos da linha de pesquisa Recriar-se e do Nesprom, respectivamente. Em breve, o site do Nesprom/Ceam/UnB, com a inclusão das novas logos e de as outras linhas de pesquisa do nosso núcleo de pesquisa, estarão no ar, um dos nossos lançamentos desse 2020.

Em 27 de março, venha conferir conosco o lançamento do Vidas Violetas, novo Recriar-se !

Além do Vidas, o Violetas (tabuleiro) 2a edição (APERFEIÇOADO), as novas logos e o novo site da Recriar-se/Nesprom farão parte da programação especial que preparamos para você !

Vamos juntas/os dar as cartas no combate à violência contra a mulher !

Clube de testes Recriar-se: novas partidas, a vez do Vidas Violetas !

O Clube de Testes Recriar-se, iniciativa que mobiliza a participação de pessoas nas partidas que originam os jogos dessa linha de pesquisa do Nesprom/Ceam/UnB, abrirá novas inscrições para o aperfeiçoamento do nosso novo jogo, o Vidas Violetas:Um jogo em que as mulheres dão as cartas!

No próximo dia 4 de Julho, 5a feira, faremos um piloto para justarmos os últimos detalhes dessa nova fase da pesquisa que originará o Vidas, com convidadas/os. Muito em breve, abriremos inscrições ao público interessado em se divertir e testar conosco o Vidas, nas partidas que acontecerão entre Agosto e Outubro de 2019.

Fique atenta/o, divulgue, participe e venha recriar-se conosco !