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Archive for the ‘Uncategorized’ Category

Chegamos ao número 40 do nosso Didático-para-Recriar-se (DPR40), uma série que produz e divulga experiências de ensino, pesquisa e educação voltada para a reflexão reinventiva de subjetividades críticas na saúde. O filme ‘O Reencontro’ (Direção: Martin Provost, França, 2017) é uma deliciosa comédia dramática em que o talento de Catherine Deneuve e Catherine Frot nos faz mergulhar nos sentidos éticos de uma vida que mereça ser vivida, a despeito de suas dores e sofrimentos. Na sinopse, Claire (Catherine Frot) exerce sua profissão de parteira com muita paixão. Ela é conhecida por ser uma mulher séria e prudente, porém solitária. Sua vida se transforma com a aparição inesperada de Béatrice (Catherine Deneuve), uma antiga amante de seu pai, em busca de ajuda para problemas pessoais. Claire hesita em ajudá-la a princípio, mas logo apoia a mulher extravagante, e descobre um modo de vida muito diferente do seu.

Como adotar ?

Indicamos o filme para as discussões sobre o processo de trabalho em saúde e enfermagem, em especial nos tempos de tecnificação excessiva do modelo biomédico. Discussões sobre o conceito de saúde, cuidado e a dimensão do feminino nas formas de realização humana igualmente podem render bons debates no filme, em diversos cenários de aprendizagem.

Preste atenção

No sentido do ‘reencontro’ para as duas mulheres e, em especial,  nas transformações que a competente enfermeira ‘Claire’ sofre com essa inesperada visita de Béatrice. A rigidez da profissão da enfermagem pode encontrar nesse filme um bom debate para os valores que estão em jogo na nossa prática profissional.

Qual o descaminho ?

O filme problematiza e motiva reflexões sobre o sentido de viver uma boa vida no contexto frenético que a vida moderna nos imprime. O ‘tempo’ para simplesmente ‘ser’ é outra desconstrução possível a se discutir, assim os sentidos do cuidado para a saúde e para a vida humana.

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Neste Didáticos-para-Recriar-se 39 (DPR39), propomos a solução de um enigma que requer bons olhos e ouvidos dos participantes. É que por detrás de um problema clássico de lógica  do livro ‘O Enigma de Einstein‘, de Jeromy Stamgrom, escondem-se estereótipos de gênero tradicionais e conservadores que reproduzem a violência simbólica contra a mulher. Seguindo a nossa classificação do DPR, a seguir falaremos sobre ‘o que é’, ‘como adotar’, ‘preste atenção’, ‘qual o descaminho’ e ‘ o que já se disse’ desta técnica.

O que é ?

O velho tabu acerca da mulher que precisa ‘agradar seu príncipe‘, ou a própria estória da ‘Bela Adormecida’ à espera de um salvador do sono eterno, pode ser ricamente discutido por meio dessa técnica simples, seja em sala de aula ou demais espaços de reflexão crítica. Trata-se de um enigma de lógica como qualquer outro, ambientado numa versão moderna do conto ‘A Bela Adormecida’, em que se exercita o poder dos olhos e ouvidos para captar o que se esconde por detrás de formalizações lógica vazia de conteúdo.

Como adotar ?

O problema de lógica deve ser colocado em primeiro plano como qualquer outro, com certo esforço da/do docente em priorizar, num primeiro momento, a resolução do mesmo. Em geral, a turma se vê seduzida pela curiosidade do problema e passa a resolvê-lo sem mais delongas. O facilitador deixa a turma se envolver na resolução do problema. Quando finalmente chegam ou não a uma solução, recomenda-se que se dê um passo atrás para discutir o que se esconde por detrás de um trivial problema ou exercício em sala de aula, em geral proposto por outro, que não elas/es próprios. Quantos desses não resolvemos em sala de aula sem nos darmos conta dos estereótipos que eles reproduzem e naturalizam-se em nossas consciências ? Essas e outras questões questões de gênero podem ser amplamente discutidas após a turma se dar conta que o verdadeiro ‘problema’ é o que a linguagem lógico-matemática esconde, ou seja, o seu conteúdo esvaziado de crítica. Confira a técnica, aqui

Preste Atenção

Para a técnica funcionar, recomenda-se que a/o docente assuma inicialmente o protagonismo da proposição, voltando a atenção da turma para o problema e não para o contexto em que ela se insere. Em todo caso, se a turma já tiver um percurso nas discussões de gênero e perceber antecipadamente a ‘Bela Adomecida’, pode-se discutir o velamento dos estereótipos sem a resolução do problema de lógica (que aqui será sempre secundário ou desnecessário). Na nossa experiência com estudantes de graduação da área da saúde, acostumados a linguagem técnica-científica destituída de subjetividades críticas, a tendência é que todas/os adiram à resolução do problema rapidamente. No segundo momento, quando voltamos ao que a técnica esconde, ou seja, os estereótipos de gênero da adaptação do conto, as discussões se mostram permeadas de grande surpresa e perplexidade a ser explorada.

Qual o descaminho ?

A desconstrução do discurso ‘técnico-científico’, amparado na neutralidade axiológica da ciência ainda preponderante na formação em saúde, é o grande descaminho crítico a ser provocado pela técnica.

O que já se disse ?

As/os estudantes se descobrem envoltos em discursos  que subliminarmente naturalizam a opressão sobre as mulheres, essa é a riqueza da técnica. As avaliações em sala de aula demonstraram que ela pode aguçar melhor ‘os olhos e os ouvidos‘ para os problemas mais significativos que se escondem por detrás das formalizações lógicas.

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A filósofa Judith Butler é uma das referencias mundiais na epistemologia feminista, com vasta produção sobre outros temas das ciências humanas e sociais.  Diante das lamentáveis agressões que ela sofreu na sua passagem recente pelo Brasil, o Recriar-se reafirma sua posição no enfrentamento das violências que põem em risco a democracia e a cidadania das mulheres. Nada melhor do que a Butler, para dizer porque precisamos milhões de vezes e sempre mais falar sobre as questões de gênero. Apoiamos essa ideia.

 

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Segunda turma da disciplina ”vivencias IV’, exibe com orgulho as suas produções’

Em continuidade aos preparativos para a ‘Mostra: O que Stela e Saramago diriam à prática social da enfermagem ? Zines na formação crítica e política das/os profissionais de saúde’, a segunda turma da disciplina vivencias IV, do curso de enfermagem da UnB, produziu e discutiu seus Zines individuais, em que expressaram suas ‘ilhas desconhecidas’ nas práticas da saúde. Da mesma forma que a primeira turma, as discussões foram marcadas pela sensibilidade, pela emoção e pela reflexão das/os estudantes, motivadas pelas ricas experiências singulares, traduzidas em diversos formatos de papéis, colagens, desenhos e textos.  Em breve, disponibilizaremos todas as produções do grupo, neste Blog.

Estudantes de enfermagem terão ‘webconferência’ sobre a produção dos Zines 

A artista plástica e mestre em comunicação social Fernanda Meireles nos auxiliará a navegar pelas ‘ilhas desconhecidas’ dos Zines

Como etapa preparatória para a produção dos Zines coletivos que serão apresentados na mostra, dia 27/11, a turma contará com uma webconferência da artista plástica licenciada em letras, especialista em arteterapia, mestre em comunicação social e mediadora de oficinas de Zines, Fernanda Meireles, no próximo dia 20/11.

Desde já, agradecemos à disponibilidade e atenção da Fernanda, que muito contribuirá para o sucesso da nossa mostra !

Para mais informações sobre a mostra de zines, clique aqui.

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Confira mais informações sobre esse evento na postagem abaixo ou aqui

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Estudantes da disciplina ‘vivencias IV’, do curso de enfermagem da UnB, finalizam seus Zines sobre as experiencias vividas nos serviços de saúde. Elas/es também trocaram seus Zines pelos correios.

O que Stela do Patrocínio, a livre pensadora da voz-texto O reino dos bichos e animais é meu nome‘, e José Saramago, autor da ‘Ilha desconhecida‘, diriam à prática social da enfermagem ? Seria possível articular o cinema, a literatura e a experiência individual nos serviços de saúde para repensar as práticas profissionais, diante da crise do modelo biomédico de atenção ? Como integrar as distintas disciplinas de estudantes de graduação em enfermagem, de um mesmo semestre (saúde do adulto e do idoso, bioética e processo de trabalho), em atividades práticas reflexivas, críticas, políticas e esteticamente sensíveis ?  Na tentativa de resposta, propusemos neste ‘Didáticos-para Recriar-se- 38 (DPR-38) um diálogo intersubjetivo em sala de aula que produziram múltiplos sentidos de aprendizagem:  a construção de fanzines ou de zines, como é mais conhecido dentre seus praticantes.

Zines individuais produzidos pela metade da turma. Depois do rodízio, será a vez da outra parte dos estudantes passar pela experiência.

O que é o ‘Zine’ e porque escolhemos essa forma de expressão  ?

Zine é a abreviatura de ‘Fanzine’ (junção das palavras ‘fãs’ e ‘magazines’, cujo surgimento se deu entre os fãs de ficção científica, nos EUA, na década de 40) e consiste num veículo de comunicação autoral, irreverente, alternativo e independente, em geral com um conteúdo de crítica social, artística, cultural ou política. Este tipo de publicação ‘que qualquer um pode fazer’ é dirigido a públicos específicos, tem baixos custos e tiragens.  Além disso, as/os editoras/es se responsabilizam por todo o processo produtivo, desde a concepção até a distribuição. A história dos zines é marcada por posições de resistência e de contestação em vários movimentos sociais, seja da música, punks, estudantis, feministas e outros. No Brasil ele cumpriu um papel importante nos gritos de resistência à ditadura, como forma de comunicação alternativa de crítica ao governo militar (Há relativa literatura sobre o assunto, conforme Henrique. Para saber mais, acesse a editora Marca Fantasia)

Como se vê, a principal característica dos Zines é que ele permite a expressão de subjetividades singulares ou compartilhadas, gerando um diálogo de ideias forças entre pessoas, grupos e comunidades. Resolvemos adotar esta forma de expressão para fomentar a criatividade, a livre expressão de sentidos, de experiências e de aprendizados nos graduandos de enfermagem, a partir de disparadores estéticos.

Como adotamos e o que virá ?

Para o bloco  ‘processo de trabalho’ e ‘bioética’ da referida disciplina, que se alterna com o bloco ‘saúde do adulto e idoso’, tivemos por objetivo analisar criticamente a historicidade, os valores ideológicos e as questões de gênero presentes na prática social da enfermagem, com ênfase nas repercussões para a autonomia da profissão.  Intercalamos discussões de filmes articulados à literatura e aos referencias teóricos, norteadas por questões que foram debatidas a cada momento e nas produções dos Zines. Motivados pela experimentação estética, primeiramente as/os estudantes produziram seus ‘Zines’ individuais (‘BiografaZines’) para contar um caso inspirado em experiências vivenciadas nos serviços de saúde.

Depois, de maneira mais elaborada, os grupos editarão nos trabalhos finais os zines coletivos para responder à pergunta ‘O que Stela e Saramago diriam à prática social da enfermagem’ ?

 Zines individuais da primeira turma: ‘Ilhas que vivi com as práticas de saúde’

As primeiras produções dos Zines, correspondente à metade da turma, confirma o sucesso da empreitada. Numa sessão de muita interação e curiosidade sobre os ‘BigrafaZines’ de cada um, conversamos de forma descontraída sobre temas complexos, tais como: a violência de gênero; violência contra idosos; dilemas éticos e bioéticos; Sindrome de Burnout na enfermagem; relações de poder e autonomia profissional.

Mas, deixemos os ‘zineiros‘ falarem por si..vejam algumas produções das/dos estudantes:

Mais produções da turma:

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“Que inovador !!

Estudantes enviam seus Zines aos colegas pelos correios, como manda o hábito da cultura fanzineira. A primeira carta a gente nunca esquece !

O momento de maior entusiasmo da turma ficou por conta da escrita da primeira carta ‘física’, com direito a endereçamento e selo num envelope para postá-lo nos correios. Cada estudante foi convidado a enviar o seu Zine para um ‘amigo secreto’ feito na hora. Dessa forma, cada um sabe que receberá uma carta pelos correios, mas só saberá quem a enviou quando as mesmas chegarem nas suas residencias, entregues pelo carteiro.  “Aí, será que vai demorar muito ?” diziam uns aos outros, em meio a muita euforia pelo ineditismo da atividade.

Com uma média de 20 a 25 anos, adeptos às tecnologias midiáticas, as/os estudantes confessaram que aquela fora a primeira carta escrita à mão e enviada pelos correios, o que explica as muitas dúvidas sobre onde colocar o destinatário, o remetente e o próprio selo nos envelopes !!

De forma espontânea, uma estudante fala:

“- Que inovador !’

‘- O que ? uma carta !!?”, perguntamos.

Ela responde: “-Não só isso ! Os Zines, as cartas..a tarde de hoje ! Olha quantas ilhas desconhecidas há aqui ?!!!”

Ao que percebemos, parece que o mais inovador pode estar numa simples carta, desde que ela revele a escrita poética de si, parte do aprendizado reflexivo.

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Autoridades da Secretaria de Politica para as Mulheres, Igualdade racional e Direitos humanos, da Fundação de Apoio à Pesquisa (FAP-DF), da Universidade de Brasília, da Universidade Católica de Brasília e pesquisadoras/es contemplados no edital 03/2017, durante a cerimônia de assinatura dos respectivos TOA´s.

Na ultima 6a feira (06/10), ocorreu a solenidade para a assinatura dos TOA´s das pesquisas financiadas pelo  Edital de Políticas de Pesquisa sobre o Sistema de Proteção e Promoção dos Direitos de Meninas e Mulheres no Distrito Federal (03/2017), em cerimônia oficial na ‘Casa da Mulher Brasileira’, no Distrito Federal.

Com isso, as/os pesquisadoras/es contempladas/os ficam mais perto de receber os recursos financeiros para a execução de respectivos projetos, cuja previsão de repasse é de cerca de um mês.

Previsto como segunda etapa do projeto que originou o Violetas, o’Vidas Violetas: um jogo em que as mulheres dão as cartas’ será um jogo de cartas que produzirá narrativas desconstrutoras dos estereótipos de gênero para um público mais geral (mulheres e homens, jovens e adultos, atendidos ou não pelos organismos de políticas para as mulheres).

O desenvolvimento dessa segunda tecnologia lúdico-educativa do Recriar-se foi destaque nas reportagens que noticiaram o evento, tanto no jornal Correio Brasiliense como na Agencia Brasília, ambos com boas expectativas para o projeto.

Rede de pesquisas

Nesse segundo momento, contaremos com parcerias nacionais (Grupo de pesquisa Gênero, Saúde e Enfermagem/EEUSP e Núcleo de Estudos e Pesquisas para Mulheres/Ceam/UnB) e internacionais (Centro de Investigação e Estudos de Sociologia do Instituto Universitário de Lisboa – CIES/IUL) para a realização da segunda etapa do projeto ‘Mulher & Cidadania: desenvolvimento de tecnologia lúdico-educativa no enfrentamento da violência contra a mulher’, com duração de 18 meses.

Desde já, expressamos os nossos sinceros agradecimentos às/os estudantes, às /aos pesquisadoras/es e às/aos profissionais que compõem nossa rede de pesquisa para o desenvolvimento do jogo. Temos certeza que o Vidas Violetas será a síntese do melhor que pudermos fazer para combater a violência contra a mulher.

Que venha o Vidas Violetas ! 

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